ANTÔNIO RICARDO

Antônio Ricardo

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- ANTÔNIO RICARDO PAIXÃO

Nome: Antônio Ricardo 

Biografia:
Natural da cidade de Fortaleza, Antonio Ricardo Paixão dos Santos é professor de ensino fundamental pela prefeitura e mestrando em Estudos da Tradução pela Pós Graduação em Estudos da Tradução – POET, da Universidade Federal do Ceará. Além disso, tem especialização em Estudos Clássicos pela mesma universidade e foi revisor da obra Pervivência Clássica (2018) – trecho em anexo, organizado por Robert de Brose.

Poesias

Caminhando pela Floresta

Todas as vezes que saio
Perambulo por aí
Procurando no desespero
Aquela semente que plantei.
Acaso vistes ela?
Não sei como ela é.
Arrisco a dizer que pareces
Com você e
Ao mesmo Tempo, não é você.
Todas as vezes que saio
Perambulo por aí.
Acaso me vistes passar?
Não sou assim como pensas.
Apenas apresso minhas preces
Para que tu penses naquele apreço,
Naquela semente que plantei
Em ti.

Plutônico

A distância que separa
Todos nós
É a indecência
De um dia inteiro
Na gargalhada do algoz.
Na mediocridade do mesquinho
Sob a névoa do desatino
Impávido domínio.
Solidão de um microcosmo
Pungente e jocoso,
Mas anos-luz orgulhoso.
Da distância que separa
Todos nós…
Oh Deus, como és maravilhoso!

Pedras de Gelo

Não vou mais aquecer esse
Coração que teima em gelar!
Deixo o frio do Iceberg
Nele dominar.
Minhas lágrimas não conseguem
Nele adentrar
Nesse Coração que teima
Em gelar
Com ilusões tento resgatar
Aquele Coração que teima
Em gelar.
Solitário irei ficar?
Se meu Coração enfim
Congelar…

De poeira em poeira

Olho em volta do entorno
Tudo é rodopio solitário
Deito em póstumo monumento
Quão fútil é o meu recado!
Igual hora adentro
Convenço – me de furtivo alento
Minutos, segundos se esvaem
Ampulheta do Tempo
Agora em preciso e lento
Companhias e amores desaparecendo!
Areia nos olhos envermelhecendo,
Esquecido entre cada grão de quartzo
Comem a terra e a poeira do esquecimento!

O instrumento proibido

Sou apenas vaga lembrança num instrumento
Que em tuas mãos ousei tocar!
Cordas, acordes, o Patriarca tentou me calar!
Medo, fúria, amor. Não consegui me afastar!
Perdoe-me Deus. De alguma forma é proibido!
Proibido, e bem tu sabes, te Amar!