ANYH SOUZA

Anyh Souza

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- ANYH SOUSA

Nome: Anyh Souza 

Biografia:

Graduanda em psicologia, escreve textos e poesias desde os 13 anos, criou uma fan page no facebook em 2012 chamada: “baboseiras poéticas”, um projeto literário independente voltado para jovens que gostavam de escrever e divulgar seus textos. Em 2018 criou uma page no Instagram de poesias eróticas chamada: “Nudes da Alma”, onde eram divulgadas poesias eróticas com fins de empoderamento feminino, liberdade e solitude, porem teve de abandonar o projeto, mas continuou postando nas suas redes. Nesse mesmo ano de 2018 teve sua poesia “Poesia da Liberdade” publicada no livro: “Diversidade e Resistencia: Coletânea Literária LGBT.

Poesias

PRAÇA DO FERREIRA.

A noite o centro da cidade não tem luz e nem poesia, enquanto caminho apressada temendo pela minha vida Deus chora ao meu lado, seus filhos estão espalhados pelas calçadas, tão cinzentas, tão frias…

Cresce um nó na minha garganta, seguro as lágrimas, alguém me pede uns trocados, dou-lhe umas moedas que não matará sua fome e muito menos a minha angústia.

Estico os passos, já passam das nove, meu peito aperta, observo as ruas serem engolidas pelos lixos, aqui fede a mijo, penso “Amanhã vai ser outro dia”

Não resolve…

Olho para os céus, lá não tem estrelas, não tem luz e nem poesia, fecho meus punhos, estou indignada com tanta injustiça.

A noite o centro da cidade não tem cor e nem magia, só papelões estirados embaixo das marquises.

Já é tarde, subo no ônibus, hoje não posso fazer nada pra muda essa vida, escrevo uma poesia, amanhã vai ser outro dia, amanhã vou a luta contra essa realidade, contra esse desespero, essa melancolia…

Praça do Ferreira lembro de quando você me sorria…

OS LADOS MEUS

Um lado meu me quer livre, o outro quer juntar-me a alguém.
Um lado meu é pura festa, álcool e bar…O outro é lar, jantar e uma taça de vinho tinto.
Um lado meu fala da vida de boca cheia, o outro gosta de come-la pelas beiradas.
Um lado meu adora colecionar paixões, o outro gosta da quietude do amor.
Um lado meu fode os corpos e odeia promessas, o outro ama-os e os escreve poesias.
Um lado meu vai por cima, prende entre os dedos os laços do cabelo, o outro adora ser submisso e penetrado com carinho.
Um lado meu é selvageria sem pudor, o outro é delicado e vulnerável.
Um lado meu adora fazer-se companhia, o outro se entranha aos mundos alheios com medo da solidão.
Um lado meu não quer nada com ninguém, vive a sua liberdade como um troféu, o outro adora ser par, mas foi corrompido pelo primeiro.
Um lado meu sorrir com deboche, o outro silencia porque já não ver mais tanta graça na vida.
Um lado meu chama para dançar, o outro adora ser convidado.
Um lado meu caminha com Deus ao lado, o outro se ajoelha para que seja ouvido.
Um lado meu odeia o mundo e suas injustiças, o outro fecha os olhos e acalma em oração a confusão dentro de mim.
Um lado meu tem razão de tudo, é a verdade, o outro já é suspeita demais, é cheio de dúvidas.
Um lado meu comete pecados, o outro pede perdão pelo primeiro.
Um lado meu é masculino, o outro é feminino, as vezes eles trocam e eu já não sei quem ta agindo, mas eles vivem em sintonia, cada um se completando carinhosamente e colocando cor nessa loucura que eu chamo de vida.
Aliás que vida deliciosa…

 

NO CORAÇÃO DO MEU FEMINISMO

 

No coração do meu feminismo existe o reflexo de uma fêmea, emponderada, firme, responsável pela caça e a criação de seus filhotes. Lembro dela saindo de casa ao nascer do dia, carregando nos ombros uma bolsa cheia de sonhos e nos punhos serrados a força que lutaria contra todos os predadores das nossas vidas.

O macho passava o dia inteiro dentro do lar, vigiando um local sem inimigos e contando moedas em uma mesa sem alimentos. Nas minhas raízes mais profundas via o medo crescer em meu peito, pois aquele que era responsável para nos proteger sempre foi impiedoso com a palma de sua mão na mira de nossa face.

Cinco da tarde, final do dia e o sol se punha no horizonte, o relógio da minha alma toca, Maria, não a imaculada, mas aquela que havia dado luz a minha liberdade.

Corríamos ao seu encontro, cinco crias, saudáveis aos seus cuidados. Cada uma segurava uma sacola, sentíamos seguras agora, sorrindo cheias de bênçãos e afetos.

No coração do meu feminismo sempre irá refletir aquele rosto, aquela fêmea cheia de força, capaz de travar qualquer guerra pra nos manter vivos e honestos, era ela que nos erguia a vida, era aquela luz que iria brilha em mim quando estivesse adulta.

O macho dessa história nunca me refletiu nada, na verdade ele sempre foi a referência daquilo que eu sempre iria lutar no mundo, seu dinheiro, sua violência, sua falta de afeto, nunca me ensinou nada, suas algemas de ódio nunca me prenderam, sou livre desde o nascimento, por isso sempre irei lutar bravamente por igualdades, assim como você
Mãe.