CARLA DOS SANTOS

Carla dos Santos

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- CARLA DOS SANTOS

Nome: Carla dos Santos

Biografia:

Carla Correia é atriz, performer, estudante do curso de Teatro da Universidade Federal do Ceará e poetisa com especial dedicação á poesia erótica, percorrendo também os caminhos do conto e da crônica, sob a perspectiva da mulher na literatura. Em 2015, compôs a programação do VII Sarau Entrepalavras, com dois poemas aprovados. Desde então participou de Sarais pela cidade com poesia autoral e recitando clássicos, com pesquisa na poesia como performance. Dentre eles, o Sarau dos Malditos, produzido pela Underdark Productions. Entre as referências, estão as poetisas Olga Savary, Hilda Hilst, Bruna Lombardi e Gilka Machado.

Poesias

GULA

Me prove com emoção

com gula e sofreguidão

de ter então o que queres

Me trague em devoção

me engula a pleno pulmão

tão voraz quanto puderes

Me coma mesmo com a mão

com a falta de educação

de quem dispensa os talheres.

ADEUS À UM GRANDE AMOR

Tempos de ventania

antecederam meu voo

voei de tua estufilha

da clausura do teu amor

 

Dois cegos mansos em trilha

candura nociva de flor

Fumaça de esquadrilha

poeira do mel da dor

 

De ti a minha alforria

a nossa canção tocou

clichê no nascer do dia

manhã ainda sem cor

 

Teu lembrar em calmaria

minha voz silenciou

fraternal é tua estadia

no pouco que em mim ficou

 

Anjo de guardaria

tua pequena ainda sou

em alguma data ou dia

que o caos do tempo assolou

Noivo estás em valia

noiva também eu sou

teu casório na sacristia

o meu nos confins do amor

nas noites de boemia.

DO DESEJO

Desejo é o que corre

em minhas torpes veias

que faz capaz sangria

de nomes, gostos, cheiros

Se faz senhor e servo

de pudores e joguetes

de arrepios, línguas quentes

percorrendo a carne crua

Desejo de profanar

os desejos já vividos

sucumbir em braços fortes

jogar lenha à labareda

Anseio de desnudar

a volúpia de teus corpos

e volúvel a meu modo

comer, morder, molhar

Oh desejo sem limites

és menino arredio

de querer ser soberano

de querer não mais parar

OS MENINOS

Eu vi o canto baixo dos meninos

a entrar pelos caminhos

a subir no elevador;

 

Tais meninos como aqueles tão esguios

a brincar por entre os trilhos

sufocando sua dor;

 

Os vi entontecer em noite brava

com o perfume que embriaga

e praqueja seu clamor;

 

Rodopiando em meio a fumaça

que ilude como brasa

perjurando terno amor;

 

A sós sentados aos pés de quem passeia

e por entre eles permeia

sem lhes dar nenhum valor;

 

Senhores e senhoras tão sisudos

que não ouvem o choro mudo

dos meninos ao redor.

POEMA OFENSIVO

Ofensivo, em súbito

apagaste a luz

de repente, eu mudo

o escuro me seduz

Ofensivo, com pressa

ousaste me tocar

de repente, me resta

teu gosto então provar

Ofensivos, dois nus

sedentos a bailar

de repente, me pus

a teus poros lambuzar

Ofensivos, sem pudor

nós dois a vadiar

de repente, teu gosto

me inunda o paladar