CAROLINA MOTA

Carolina Mota

Nome: Carolina Mota 

Biografia:

Carolina Capasso é graduada em Letras Português e pós-graduada em Arteterapia Escolar. É apaixonada por Literatura Brasileira, Gramática Normativa e Produção Textual. Publicou seus textos em três antologias poéticas. Recentemente escreveu o livro “Canção do Mar”

Poesias

ANACOLUTO

Gosto do incompleto,
inacabado,
corroído.
Gosto do que corta,
do que fere,
do que sangra.
Gosto do que pulsa
do que pesa,
do que peca.
Gosto de pupílas
dilatadas.
De olhos negros e graúdos
se embriagando de maresia
e marulho.
Gosto de beber
enquanto neva.
Pois,
não existe inverno em mim,
por mais que chova.
Gosto de escrever
como quem crê
que tem em si
todas as cores
do mundo.
Meu nome é Ana.
Meu sobrenome é Coluto.
Muito prazer.
Eu sou uma figura…
que configura
a quebra
da estrutura
sintática
da frase.
Muito prazer.
Meu nome é Anacoluto.
Quem é você?

SOBRE O TEMPO

 

– Meu amor, que horas você vai se pôr?

Que seja breve, porque eu quero nascer.

E perguntar ao Mar

se anoiteci bonita.

Eu tenho uma porção de estrelas para criar.

Eu tenho um coração para sentir.

Eu tenho uma canção para Iemanjá.

Apenas me diga,

– Meu amor, que horas você vai se pôr?

Porque eu quero nascer, nova, meia ou cheia.

Mas eu preciso nascer.

PEDRO TEMPESTADE

 

Porque eu decidi que sim, agora mesmo.

Compreendi que chove, de dentro pra fora de mim.

Porque meu nome é Pedra, é Lua, é Tempestade.

Porque meu nome é Pedro. É Céu. É Saudade.

Beijo-te com os olhos, que demasiado graúdos,

estão cansados do peso do mundo,

que anteriormente

apenas as costas precisavam suportar.

Cansei, de cabeça cheia e de coração vazio.

Cansei, de preces não atendidas, e de palavras não entendidas.

Eu sou um ser coletivo, como um lobo.

Mas também sou seletiva, como um urso.

Chovo, mas ao me inundar, eu transbordo.

Choro, mas ao ir embora, eu não morro.

A minha natureza é sagrada.

O meu paradeiro é secreto.

E por ser, quente, eu queimo.

E por ser fogo, eu mato,

mas eu não morro.

Canção do Fogo

 

Nem todo fogo queima.

Algumas vezes, arde.

Nem tudo cicatriza.

Algumas vezes, sangra.

Nem todo beijo cura.

Algumas vezes, corta.

Nem toda noite cai.

Algumas vezes, tarda.

Nem tudo que vai, se foi.

Às vezes, nunca veio.

Ausência

 

Falta tanta palavra para ser dita, para ser escrita, para ser vivida.

Sobra tanta falta. Falta tanta tempo. Sobra tanta sobra.

Nem dá tempo.

Porque falta tanta palavra pra ser rasgada, pra ser sangrada, pra ser gritada.

Sobra tanto grito que dá raiva.

Falta tanto silêncio que dá frio.

Sobra tanto céu. Falta tanto mar.

Sobram os meus olhos marejados.

Falta o teu coração incendiário,

mas em nenhum momento sobra solidão.

Eu não sinto falta de quem sente falta quando sobra tempo.

Falta tanto ar que sobra asma.

Sobra tanta casa, falta tanto lar.

Sobra o ego,

falta a essência.

Sobra ausência.