FRANCISCO DANIEL

Francisco Daniel

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- FRANCISCO DANIEL

Nome: Francisco Daniel 

Biografia:

Daniel Lima, conhecido como Dali, morador do Jangurussu, poeta, cantor, integrante do grupo A Quebra, participa de Batalhas de MC’s, Saraus, Slam’s, etc. Formado em Ciências Sociais (UFC) é também educador social, professor de Sociologia e escritor, tendo participado dos livros Sarau da B1 – Poetas de Lugar Nenhum (2016); Vozes do Jangu (lançado na Bienal Internacional do Livro do Ceará em 2017); Ruma – Poemas de Saraus (lançado na Bienal Internacional do Livro do Ceará em 2019) e Contos da Cuca (2019).

Poesias

Preterido ou Do Racismo

Ao preterido nada é permitido

um sorriso não é correspondido

nunca é acolhido escolhido

não possui cupido não é preferido

Se sente ferido não se sente pertencido

Se queixa por já ter repetido

a quarta série três anos seguidos

O preterido é estimulado a ser inibido

Não é protegido

homo sacer pra ser sempre atingido

Nem lhe designam à noção de indivíduo

quando muito é assistido

ou pelas câmeras carniceiras assistido

Um dia lembrou ter lido

que uma história havia havido

nada romântico doutro lado do Atlântico

fora trazido vendido espremido cuspido

agredido bastante coagido

veredito estabelecido

futuro decidido por europeus encardidos

Ai de quem tenha reagido!

Não se deu por vencido

não fora convencido

Foi que passou a dar uma de sabido

passou a botar RAP pra passear nos ouvidos

Lembrou em pranto o quanto tinha refletido

logo era chamado de atrevido

por questionar o não-corrigido

o poder corrompido.

E mesmo tendo agido

de modo assíduo precavido

história comum século XXI é perseguido oprimido.

Conclusão, cabe ao seu padrão o atributo de bandido.

“Grito na consciência”

 

O mundo se acabando e eu quase choro

As causas disso eu já ignoro

Resisto e não imploro

O mal se desencadeando o sagrado agora é profano

Dois corpos na pista e a multidão que só observa

Quase mortos tudo em vista meu coração acelera

Na frente minha mente um tanto conturbada

Alma dilacerada amor se rasteja me torno indiferente

Vejo mais aglomerados famigerados pelo espetáculo

Mais dois agora presos algemados

Um no camburão encurralado xingado

a metra lhe beija ou seja desfecho trágico

Apenas rancor desejo torpor ou qualquer licor

Vícios milícias polícias acidentes evidente grito voraz

Enquanto Belchior aos meus ouvidos fala de amor e de algo mais.