FRANCISCO JAM´S

Francisco Jam´s

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- FRANCISCO JAM´S WILLAME

Nome: Francisco Jam´s

Biografia:

Francisco Jam’s Willame Carneiro Barbosa , morador da periferia do Conjunto Ceará, ator e produtor cultural independente.

Idealizador do sarau O Corpo Sem Órgãos: Sarau – Rizoma

Poesias

Carta ao descriado universo

( O jogar dos maus)

 

Me disfarço aqui de carteiro do universo descriado.Tenho o imenso desprazer de lhe mandar notícias e más energias da criação.Não há novidade, a não ser a descriação do universo, feita pela criação no mundo.Escrevo e entrego-lhe tal absurdo, por não ter o que melhor fazer. Perdoe-me a aparente ofensa, mas, não me propus ao silêncio quando não pensei.Sentei após vários movimentações circulares dos caminhos, joguei junto a outros, meus maus, enquanto outros mais adquiria.

Poderia eu Aldir meu pensar, mas, o barulho do descriado me ofuscaria o grito e as falas tomadas de falsas inteligências. Claro que não tenho só as más metáficas a serem lançadas, mas é que as falsas boas ficam comigo e as outras más, adquiridas, pretendo usar, afim de formar novas boas para macular as más e novamente envia-las.

Com o descriar, vieram também a recriação da criação, que ainda não percebeu que nada cria. Pobre deles. Pobre de mim me torno por ser semelhante em mim.

Não faço através desta uma exposição sincera do meu pensamento, mas, mais uma física-metal a ser jogada sobre vós. Não é assim que se deve fazer?Depois do descriado, tudo deve ser feito para criar. Entendeu? Somos humanos o suficiente para descriar, sendo criação para criar. Confuso? Quer tradução? Desfazer para refazer. Sina maldita dada por você. Teria eu a agradecer sobre isso? Seria você a ser agradecido?Tudo em círculo como demanda o seu comando. Sem pudores e ou outros sensores linguísticos, continuamos ao nada, no vácuo do círculo, fecundando espirais infindas, más físicas-mentais e descriando como criação. Finalizo está com longas e más fonéticas do pensamento a vós.E que me sobre o bom e os novos maus, já que me descrio de sua criação.

Entre Lorcas de Dalí e meu pulsar 02/07/2018

A futuração dos dias Os alcoviteiros do poder As amadas de Lorca nos fantasmas vivos de Dalí

Manhãs passadas em presente sem futuro e sem horas Beijos apostos prontos ao ataque. Atar corpos nus na escuridão do jardim ensolarado Vivos vindos de lugares mortos

Carados mascarados putricidos em carne viva completos de operários da morte Caixas de pano branco transparente reluzindo chamas de velas por calçamentos e calçadas.

A testa fria o sangue não mais bombeado pelo músculo pulsante originador. É do céu ensolarado que grita a estrela morta .

A testa fria, o sangue não mais bombeado pelo músculo pulsante originador.

É do céu ensolarado que grita a estrela morta.

É no canto da face que se faz corte na alma’mante.

Demônios e Estrelas

29/12/15   04:35h 

Meu céu é de opulentes estrelas separadas

Não há anjos.

Meus demônios habitam nas linhas tortas que escrevo

Em noite sem lua nenhuma estrela resplandece.

A cintilância do céu é o olhar de Deus sobre os cegos

Sou cego, tenho o olhar de Deus habitando nas linhas tortas dos demônios que escrevo.

No inferno da poesia Deus é palavra rimada sem pontuação.

Aurora: Fogo, Escuridão e Cintilancia

 

O mal de todos os males é não sucumbir ao desejo é não dispor ao depor-se a si.

O mal de todos os males é esperar a vaga virar o navio.

O mal de todos os males é fechar os olhos na escuridão e não escolher direção.

Os males do mal são maduros frutos ao chão em época de colheita.

Os males do mal é o escancaro de mandíbulas secas em vento glacial.

Maldaram orationis* e todas foram enforcadas sobre o ardor do sol de madeiras.

O mal que tem os males é o ébrio sujo desimportante a julgo sentenciais sobre o copo vazio.

O mal que tem os males do mal é ressurgir pela aurora em fogo, escuridão e Cintilância.

Saí de meu sarcófago.

Percebi que a múmia deve permanecer em seu sarcófago, pois quando saí, o mundo mudou. Até a escuridão é diferente.

Sim, obvio da ideia (mudança), mas, que desnorteia, é, a permanência da mesma feição em corpos similares.

A múmia se reconhece mais sabia, mesmo estando em mudado mundo.

Pensa ela: – sabedoria é a saída para tudo. Quem a possui, é, por assim dizer, um ser si de si.

Despois de tal pensar pois a observar com atenção o que se mostrou enfadonho e sem perspectivas.

Tomou a si uma escritura e pois- se a ler.

Refletiu sobre o escrito, refletiu sobre o sentir…. Ao ponto de o menor pensar, parou.

Sentou o menor sentimento, e se olhou.

Olhou- se como quem ver as estrelas no meio do espaço, dentro do espaço habitado de si.

Sem reflexão percebeu que o espaço é habitado, e que o habitante é o espaço, habitado.

A múmia depois de 3 séculos, percebe o quanto se faz necessário não habitar o espaço, não há espaço no espaço dela.

Se recolheu, abriu o espaçoso sarcófago e se pôs no espaço.