GEORGIA HELORA

Georgia Helora

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- GEORGIA HELORA

Nome: Georgia Helora 

Biografia:

Georgia Helora Silva Moura, 28 anos, poetiza. Mulher, mãe, companheira, graduada em comunicação social – publicidade pela Uni7, pós-graduanda em juventude e mundo contemporâneo pela Faje/BH. Escorpiana, leitora, escritora, assessora de juventudes, catequista, pejoteira. Hoje trabalho como freelancer em comunicação, e voluntariamente trabalho com juventudes no âmbito da formação para juventudes e pessoas que trabalhem com e para as juventudes. Escrevo como forma de me entender e perceber os sentimentos e as relações que nos afetam. Participante pela primeira vez de uma seleção de poemas

Poesias

Mulher de Pedra

Sob o céu que perde a luz, nós nos mantemos intactas Sobre a terra fria, nossos pés descalços O som que vem de longe, a noite que chega perto e a lua companheira ficam imóveis. Ficam paradas no tempo todas as coisas, até que eu me mova Meu coração em pedra foi esculpido De pedra fui criada Criada para parar Para calar Para ficar Para aceitar Para obedecer Para não ser Para não viver Da pedra fui feita para esquecer, ser esquecida e morrer Mal sabiam eles Que eu, de pedra fria Tendo a noite e o dia como parceria Seria eu de pedra a suportar até quando eu resolver quebrar e voar Quando esse dia chegar, quando a noite me levar O céu perderá a cor e ganhará uma estrela Mas antes disso eu estarei firme, mal sabem eles Sou forte, serei forte e não cederei a morte Sou pedra bruta e a lua que me observa de lá Verá que uma mulher, que essa mulher nascerá

Na palma da mão aberta

Quando eu penso em amor, é a palavra liberdade que me vem à cabeça. Quando falo em liberdade, é amor que pulsa no peito. Estar entrelaçada a minha vida com outras vidas Com outros sons, com outras cores, com outros amores, é estar viva Seguindo Andando Voando É olhar pro horizonte com a certeza de que nada é certo Mas que tudo pode ser o que for pra ser. Ser amor em constante mutação É ter a liberdade na palma da mão… aberta.

Pequenez

Eu gosto das coisas do céu Das nuvens dançantes, das cores em degradê, das estrelas brilhantes e tardias, da lua temperamental, do sol inquieto, da chuva fina e calma, e mesmo da tempestade barulhenta Gosto de olhar pra lá e me sentir parte disso, parte do universo Gosto de pensar em mim como um grão, bem pequeno, minúsculo Gosto da minha pequenez É nela que a deusa mãe se concentra mais É aqui, dentro de mim, que a natureza despeja o mundo E é daqui, de dentro de mim Que eu observo com paixão A vida brincar de existir.

Lá de cima, do alto

Olho pro céu e o que eu vejo são cores Elas brincam com as nuvens Conversam com o vento Elas riem de mim, riem até cair E caem no horizonte feito pipa cortada Dançando no ar Pra que o escuro da noite seja cortado pela luzes da cidade Lá de cima, do alto Eu posso ver o sorriso das cores Que vão embora levando com elas a minha gratidão e o meu coração Que de partida pede calor, que a noite que chega não dá Mas você que ficou aqui Do meu lado olhando a tarde partir Ficou com o sol no bolso E me deu na mão Quando segurou a minha Agora eu sou sol, cor, pipa, céu, noite, luz…

Finda tarde. 

Finda a tarde eu aqui na loucura do dia. As palavras ficam repetindo na minha cabeça latejante. Várias palavras, nem consigo identificar. Provavelmente uma lista, ou várias Das muitas coisas que eu ainda tenho pra fazer. Não sei por onde começar, não sou boa no caos, tão pouco sou boa na calmaria. Fico oscilando entre estar cheia e vazia, cheia e vazia De compromissos, atividades, reuniões, coisas pra fazer, ler, escrever, estudar, avaliar, ensinar, cozinhar… Aí de repente elas me pegam Me laçam desprevenida, as cores do céu. Dançando e rindo E aí eu me lembro que eu posso parar, respirar E admirar as cores do céu dançando e brincando de ir embora. Finda a tarde e eu continuo…