JAINALA LIMA

Jailana Lima

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- JAILANA LIMA

Nome: Jailana Lima

Biografia:

Jailana Lima, Formada em Letras pela UECE e membro da Academia de Letras do Rio Grande do Sul (CAD 167), residente em Fortaleza CE. Autora do livro de poesias Ode das Estações (2017), do romance Lugar de Ninguém (2018), e do livro de contos O Começo do Fim (2019), foi Destaque em Crônica pela Editora Gaya e ALPAS 21, foi selecionada por três vezes consecutivas para o prêmio Poesia Agora, também foi vencedora no Prêmio Moutonné de Poesia, faz contribuições literárias à revista Gaya – RS e participou da Coletânea Paraty, no Flip 2019. Atuou como cantora e atriz em espetáculos, realizou curso de teatro no Lab-T com Caio Blat. Na música, tem composições autorais com o músico Gary Haase, projeto desenvolvido em New York. Em 2019, foi direção musical do musical 8 ou 80,com um elenco de 300 artistas cearenses

Poesias

Senti teu pulso latente, não era de amor. A ansiedade com indignação. E no fervor dos teus olhos, pressenti as inúmeras verdades que a intuição tem a descobrir.
As rugas da esfinge na tua face, Todos os traços ditavam, Todas as palavras entoavam, Um longo passeio, um devaneio em um berço de choro e regozijo.
A semântica dos teus lábios, ora petrificados, Marcados, por longos anos, que os transformaram em algumas horas. Deleitaram-me do furor ao amor, Mas teus olhos, sim os teus olhos! Transmitiam-me um acalento inconcebível, Brilhava, perturbava, chorava, O alívio.
Lá-se-iam todos eles, Os fantasmas das palavras, dos momentos Das ruas, dos apartamentos. Da memória, noite à fora. Entre o meu, o seu, a estranha, a entranha, Habitava o cerne, E tudo o mais que se afasta no remoto. A tua figura se reconfigura e fulgura nos novos ares, que a vida há de te marcar, no novo, no majestoso habitat.

Entre o A e o J

O amor à mesma face Nos arremete um disfarce Sólida, intensa, Conservadamente densa
Nos mostra o oculto, o abrupto Nas veias tangentes Num disfarce inseguro
Em meio ao caos, ao absurdo Formo o amor, frágil, nobre, coibido. Das cinzas que há cingido Ao arrebatar fulgurado Do amor dobrado Um dia foi, foi forte ao teu ouvido.

Ser 

Entre risos, palmas, Olhares em chamas como fogos de artifício. Entre suor, cansaço, Lágrimas e emoções.
Entre abraços, carinhos, Compassos e canções. Entre saias, calças, Vestidos, coletes e chapéus.
Entre velas, procissões, Rezas, solfejos e véus. Entre cajóns, castanholas, Microfones e violões.
Entre o espírito, a respiração, O tilintas e o resfriar. Entre o humor, as risadas, A simetria, a maestria e o luar.
Entre paredes, cortinas, Tablados, cadeiras e sapateados. Entre o palco, o teatro A rua, e o asfalto.
Entre público, plateia, Família e amigos. Entre eu, tu, nós, vós e eles, Há o amor Mais grato e fraterno, Por quem a arte e à nostalgia vos tenho me rendido

Cortejo Flamenco

Redigir fatos, Conter emoções. Abandonar as paixões, Esconder os abraços.
Metrificar os espaços, Saturar os amores, Iludir as dores, Faltar com o perdão.
Colocar eixos, Conter os desejos, Repetir o “não”, Negar os beijos.
Programar ações, Fugir do simples, Colecionar humanos, Colocar padrões.
Esquecer o amanhã, Viver o ontem, Vigorar o presente, Rotina de hoje.

Abstenção

Assim é a vida, Ferida, buscada, Corrida, levada.
Sobe, desce, Morre, cresce. Nasce, vive, Transforma, revive.
Gira, joga, Perdoa, passa, aprova. Nega, discorda, Amarra, fica livre.
Cotidiano, dia-a-dia, Rotina, hoje, amanhã, depois Sempre, agora…hora, cedo, tarde, joga.
Fora, festeja, chora… Brinda, garante… Eterna metamorfose em roda-gigante.