LÉO DE OLIVEIRA

Léo de Oliveira

POESIA-DE-FORTALEZA-2019- POETA - LÉO DE OLIVEIRA

Nome: Léo de Oliveira

Biografia:

Sem Biografia

Poesias

3:33

Durante meu ensaio do repouso eterno os sonhos se encerram nesta imaterial terra composta de planos do inferno. Súbito, acordo para meu pesadelo real.
Uma sombra paira no alto. Flutuante. Enrugado ser lúgubre e deformado. Suas garras arranham meu semblante Lacrimoso, sofro mudo e paralisado. O fôlego da vida agora me faz falta E o malogro se contorce completamente. Mergulhando de minha parede alta.
Aterrorizado, me tranquilizo mesmo assim. Mas a vil criatura ainda se faz presente. A criatura está aqui. A criatura está em mim.

Badalo

Velo este amor desencantado. Morto em tantas lamúrias negativas. Tão poucos dias, tão maltratado pela ausência de expectativas.
Colocarei uma corda em seu caixão e um sino ao lado do jazigo. Se existir ainda pulso no coração poderá ele fugir deste perigo.
Saberia ele tocar o sino no horror obscuro repentino? Quimera minha este amor voltar.
Este sentimento… poderia eu acordá-lo? Poderia eu escutar seu badalo sair da tumba e voltar a amar?

Bodas de Covas

Se em vida no amor eu prosperar e a ter a desgraça de vê-lo sucumbir a melancolia irá meu corpo consumir pois viúvo não terei como continuar.
E que estranho será o nosso funeral. Tamanho será o peso do paletó de madeira alta será a sepultura com videiras ornamentada com anjos bons e maus.
Enterrar-me-ei junto ao cadáver dela. Ficando perto da infinitude bela. Para a prosperidade em seu beijo terno.
As nossas amargas cinzas se misturarão totalmente decompostas num único caixão. O nosso fúnebre abraço eterno.

Cidadela

Percorri assustado em tuas veias inchadas. Havia podridão por todos os vasos sanguíneos. Ora contorcidos, por vezes, retilíneos exibiam cadáveres de eras passadas.
Malditos sejam os que de maneira bárbara dilaceram famintos, teus órgãos já tombados Nesta terrível fatalidade tártara Do progresso, pela morte do passado.
Minha terra, por onde anda tua memória? Violentada por monstros sem história. Um corpo podre com soberbas epidermes.
Afeto-me com o colosso da hipocrisia pois concebi em minha ideia tardia que eu também sou um de teus vermes.

Tributos

Mais um cobrador bate a porta São as dívidas da Melancolia. Nefasto de face torta que rouba em juros minha Alegria.
A Solidão a noite tem cobranças Não querem o sangue dos meus pulsos Mas o vinagre da boca em lembranças E as acumuladas lágrimas dos impulsos
Pagar tais coisas, como o faria? Anuncio! É noite de sangria! Apenas fulgura minha pequenez.
Outro cobrador sutil passa. A Morte, meu nobre, não ameaça. Mas cobrará apenas uma vez.