LUAN MATIAS

Luan Matias

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- LUAN MATIAS

Nome: Luan Matias 

Biografia:

Luan Matias, filho de dona Lourdes, nascido nas quebradas do “não se pode dizer de onde viemos” esquina com a vielas do “bairro X” do lado do “bairro Z” Poeta insurgente, ator, artista nas mais diferentes linguagens e educador social. Sempre de frente nos corres dos Saraus e resistências periféricas, um dos poetas do livro “Ruma”, a antologia dos saraus, lançado na XIII Bienal do livro, autor do zine Espelho Caótico. Aos 27, já tem noção de que a luta é diária e costuma aniquilar primeiro os menos favorecidos. Já atuou em diversos coletivos pela cidade, hoje vem ajudando a construir  o Slam da oKupa, sarau da oKupação e somando firmemente com a biblioteca comunitária Okupação na rua do amor.

Poesias

Guarda chuvas (Fortaleza bipolar)

 

Eu não uso guarda chuvas!

Gosto mesmo é de sentir a agua tocar minha pele

E escorrer em uma dança frenética , dividindo

Espaço com o meu suor, que outrora era radiante.

 

Eu não uso guarda-chuvas!

Prefiro molhar minhas roupas

E sentir que estão mais pesadas que no comum.

Eu não uso guarda-chuvas.

Não uso não!

Não uso mesmo.

 

E se reparar de mais eu ainda quebro o teu

E te puxo pelo braço e te levo comigo

Para sentir o prazer que é tomar um banho de chuva.

Farça

 

Ano de eleição!

Época dos helicópteros pousarem na periferia

Pousam para a foto em uma só alegria

Apertam a mão das idosas, beijam as crianças e acreditem

provam até de nossa broca

 

O povo meio ludibriado,

Por uma dentadura nova se vende e se entregam ao estado!

Eu só quero tá informado e saber um pouco mais,

não foram esses que estiveram aqui há um tempo atrás?

E de lá para cá, o que tem mudado?

Esta tudo piorando, nem meu bairro foi asfaltado

Falta educação e a segurança está sendo feita por nós,

ai vem um politico e acha que eu quero ouvir sua voz…

Como já dizia um grande poeta

“Está cheio de close errado e quer nos representar”

Senhor politico abestalhado eu quero é que tu vá pastar

De periferia tu não entende, faça um favor a si mesmo

Cresça e evolua sua mente.

Fora Ele!

É O DE MENOS

fora todos não é demais.

E antes de pousar na minha quebrada, presta atenção no que tu faz

Eu Estou decidido!

Só voto na verdade e não vejo ela em nenhum partido.

RotinA

Sono presente, empatia e vontade de deitar.

Perfume caro que se mistura com o barato.

Vontade de vomitar.

 

Pessoas apressadas

Pedintes nas calçadas

Cheiro de salgado misturado com mijo.

 

Bom dia! 11º andar.

Agua no rosto, concertar o cabelo.

Bom dia de novo, e mais um bom dia!

 

Elevador sufocante

musica irritante.

Portaria!

Os hippies cantantes: “DA UMAOLHADA NA ARTE MOÇO?”

Estou apressado, depois volto para olhar.

De estatuas humanas até um show de bizarrices.

Melhor me apressar.

 

Caminho apertado

Suor  escorrendo, fome batendo

Pessoas paradas olhando para o mesmo lugar.

 

Na solidão de um ônibus tudo se repete denovo

Só que agora está frio.

“Olha a pipoca e o amendoin sucrilho, quem pode me ajudar?”

Apresso o passo, a  fome não só em mim existe.

Tem fila no restaurante.

 

Subo, boa tarde!

“Tio o palhaço vai vir?”

Tenha calma a data vai chegar.

Subo como e mudo de lugar.

Vejo a expressão satisfeita quando desço o saco de lixo.

Amanhã tudo de novo, essa rotina vai me matar.

Resistir

 

Tenho sede de conhecimento e sabedoria

Nasci nas quebradas

Me criei na periferia

E lá o gatilho sempre está a meio-fio para disparar!

 

 

POW! POW! POW!

 

 

Mais uma família de luto

para eles era só mais um preto vagabundo

Já vai tarde, ouvi dizer

Era envolvido? Ouvi perguntarem!

Até arma para forjar flagrante eu já vi implantarem!

E essa é a realidade que assombra a periferia

O preto morre e leva tiro todo dia.

 

A carne mais barata do mercado é a carne negra…

A carne mais barata do mercado é a carne negra…

 

 

Já dizia a saudosa Elza Soares

Que desde o tempo dos quilombos e de zumbi dos palmares

A carne preta tem um preço que está a negócio.

 

 

E como eu disse, tenho sede de conhecimento!

Sei que o branquinho gosta  de um preto

Mais é para outro fundamento.

Roubam a nossa cultura e vestem com uma roupa padrão

Não podem ouvir nossa música que querem tremer até o chão!

 

Não!

O povo preto tem vez!

Quer se comparar com a gente ?

Tenta nascer outra vez!

Autran do bode

 

Tem fogo no rabo de joana!

Gritou minha vizinha aqui do lado.

Ei menino, não cutuca o cú do cachorro,

Eu escutei de passagem.

-Essa praga só vive embriagada!

Disse minha mãe quando eu voltei do rôle.

 

No Alto quando chovia tinha enchente!

Ai você pensa…

Que triste que deprimente.

Mais o que eu via mesmo era as pessoas saírem para tomar banho de chuva.

-Ei menino traz shampoo e sabonete que essa bica aqui tá rocheda!

E ai você vê que além de sofrer a pariferia também é lugar de vida e felicidade.