LUANA BRAGA

Luana Braga

Nome: Luana Braga 

Biografia:

Luana é escritora, fotógrafa, ilustradora e compositora. Seus vídeos-poemaestãodisponíveis no seu canal​youtube.com/insolitaviagem​.FezmúsicasemparceriacomJoyceCustódio,Jord Guedes, Guilherme Cunha, Charles Wellington, PedroFalcão,ZéRodrigueseJoãoPirambu. Junto às poetisas Carolina Capasso e Marta Pinheiro produz o sarau itinerante ‘Casa de Poesia’. Publica poemasnoblogliterário‘LeiturasdaBel’ena‘RevistaMaracajá’,ambosdo Jornal O Povo; e nas revistas online ‘Confraria’ e ‘Mirada’. Recentemente, teve seu material literário-fotográfico “Nunca mais eu digo: eu te amo” exposto na Galeria do IBEU, na Livraria Lamarca, ambos em Fortaleza, e no IFCE-Campus Acaraú, por conta do Agosto Lilás. O catálogo deste material encontra-se disponível nolink​https://is.gd/NuncaMais​.Éde sua autoria a galeria ​instagram.com/insolitaviagem​, no Instagram.

Poesias

​Dormiu bem ? 

tu me perguntou — mas não te respondi
levantei e já olhava longe pela tua janela: o cheiro do teu quarto, o desarrumado do edredom, tuas meias jogadas, a cidade acontecendo lá embaixo, o quente do dia que começava

, tu tornou a perguntar chegando-me perto, me beijando o ombro, — e eu te sorri já indo pra sala
ainda nua, buscava minhas roupas pelo apartamento todo: a saia — entre as almofadas do sofá, as sandálias — em cima do tapete da sala, os brincos — sobre o vidro da mesinha de centro
revia toda a cena, tentando acordar: as taças da noite anterior, o perfume ainda na sala, a vontade de um café, a ideia de passar na praia me tirando o juízo, e tu — e o teu cabelo assanhado

, tu me parou no meio do meu sutiã
pareceu segurar-me pelos braços como que pra eu não te fugir: teus braços, tuas tatuagens, os olhos claros, a barba desalinhada,
o hálito quente, o fundo de armário, a posta-restante e milênios-milênios — no ar

Meu Carnaval 

Meu carnaval independe de fevereiro.
É maro, é janeiro.
Eu: carnaval eu sou: o ano inteiro.
E carnaval é em mim: e para mim um desterro.
e carnaval eu sou feita: carnavalesceo de manhãzinha; só me ponho em terreiro.
Carnaval sou eu toda: minhas veias-serpentinas;
minhas hemácias: purpurina;
minhas sardinhas: eu-confete: minha carne, meu cerne.
em comigo e me dana: um samba ualuer, um forró de deus-uiser.
Eu, carnaval: meu sangue verte um frevo-amarelo-uente: o ano-todo: malemolncia carnavalescente.
Eu só sou um samba-bom ue ferve-uente.

O amor nasce de um simples uando.
ropea-se e: uma noite: cruzam-se nossos sonhos.
E aí, já somos só nossos desejos mais insidiosos: derramamos o mel uerente nas nossas bocas.
Rente: o amor ferve sibilante-uente.
É insistente.
O amor não se abafa: temente.
O amor cresce é no por-entre.

Saudade á tristeza em não termos sido.
Agora, meus pés sangram a tua ausncia: tua presena em todo lugar.
No meio do meu samba: toco sem sentir meus dedos; sinto o torpor do teu cheiro; vejo em outros pescoos o teu jeito; sinto o teu abrao envolvendo o meu corpo.
Giro no ar: desmaio no meio do sábado, atrapalhando o enredo.
oda a bateria acode os tamborins: caixeiros, surdos, chocalhos, agogs, cuícas e repiues sem norte.
Não há mais céus; nem infernos — só saudade
Eu morri, me pergunto ao acordar.
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.

imagens insólitas.
Mapas inexistentes
esbravo mares de palavras enquanto escrevo poemas sobre caminhos incertos: só sei ue tudo o ue uero é tudo.