LUCAS DE SOUZA

Lucas de Souza

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- LUCAS DE SOUZA

Nome: Lucas de Souza 

Biografia:

Sou Lucas de Souza há 25 anos. Atualmente Biotecnologista, formado na Universidade Federal do Ceará, e estudante de mestrado em Bioquímica na mesma universidade. Apesar da área de estudo estar distante da poesia, a escrita faz parte da minha vida desde os 12 anos, quando escrevia romances e contos. O tempo passou e devido ao tempo cada vez mais curto e às influências que me rodeavam, descobri a poesia, que mais tarde se tornaria meu maior refúgio. Experimento um pouco de tudo que a poesia me proporciona. Basta que flua. Publico no WordPress (“Retalhos”) desde 2015 e agora no Medium também.

Poesias

o beijo (ou beijo-fogo)

depois de tanto amargar a solidão depois de tanto fugir para dentro de mim te encontrei e
depois de tanto confundir teu rosto na rua depois de tanto buscar teu sorriso depois de tanto desejar teus abraços depois de tanto desejar a boca tua junto a minha
eis que pude tê-lo em meus braços eis que pude tê-lo colado em mim eis que pude ter os teus lábios…
o gosto do teu beijo me enfeitiçou, menino – perigo! – e o rastejar das tuas mãos sobre mim e o suor do teu rosto no meu e o calor do teu corpo e o cheiro do teu pescoço e o teu olhar e o teu sorriso e aqueles toques,
aqueles toques…
ora preenches meus pensamentos noite e dia aliás, já os preenchia – demorei a perceber.
a dúvida se fez certeza a angústia se fez alegria pura e simples e o medo se fez fogo – o meu peito queima!

O nada 

O Nada é estranha essa sensação de vazio como tudo fosse oco, fosse seco, fosse cinza como tudo se fosse
para onde foram o sentir, o dizer, o doer, o prazer? para onde foram o ver, o saber, o sofrer?
onde está o amar, o mar, o ar, a poesia?
e toda aquela sensibilidade, que fim tomou? e a angústia? e a saudade?
não há mais sorrisos, não há mais abraços não há frio nem calor
é estranha essa sensação morta como tudo fosse coisa como tudo fosse coisa amorfa como tudo fosse inanimado
não há vento nem folha não há água nem gota não há gozo nem sexo
é estranha essa sensação silenciosa como tudo fosse só, como tudo fosse longe, como tudo fosse vão, como tudo fosse e não voltasse
e o corpo não rola, não sente e a cabeça não gira, não pensa e o coração não bate, não bate
é estranha – e familiar – essa sensação vaga como tudo fosse morto como tudo fosse nada.

O pássaro 

Pássaro Viajei através das nuvens oníricas que me ligavam debilmente a ti na esperança frágil de encontrar a lareira acesa, mas falhei e não sei
não sei como entrei nesse poço profundo do qual a saída eu não a alcanço, e que as paredes rígidas e odorosas me te fazem recordar. não há suplício maior que de peixe afogado. eu fali e não sei
não sei e não lembro como caí nessa rede que balança incessante meus sentidos em perene desequilíbrio, como numa gangorra em que estou preso ao chão, sem forças para ir ao céu, e do outro lado estás a voar feito ave livre a dançar. eu caí e não sei
não sei como consegues te manter no ar e não olhar pro chão, mas não te preocupes, ave aventureira, que na queda eu te aparo, te amparo, te seguro, inseguro, no impacto de quando chegares à superfície, voluntário, ainda que seja improvável a tua queda, pois eu sempre erro a previsão e eu não sei, não
e se caso chegues mesmo um dia, e se caso te voltes mesmo ao meu encontro, e se vieres mesmo, andando ou voando, a mim, mesmo, deveras, de verdade, decerto eu corro, eu fujo, me escondo de ti. teu brilho é forte demais para a minha sombra diminuta lidar, prefiro que voltes para as nuvens oníricas, que daqui debaixo te admiro, ave bela que és. e eu não sei o que será depois.

Poema vagabundo

Poema vagabundo meu poema grita um grito surdo um grito olvido
poema vagabundo
poema que rasteja no chão da praça da praça suja no chão sujo da praça suja rasteja invisível
poema vagabundo
meu poema é dolorido é contorcido e agonizado é resfriado
é poema maltratado, maltrapilho é poema bandido também apanha na praça do Centro apanha na porta da loja do patrão
êta poemazinho ladrão rouba a cena, a atenção mas só por um minuto
meu poema não tem rosto e não tem cara de mocinho não será bem-sucedido
meu poema é podre fede um cheiro inodoro – ou usam máscaras e ainda não percebi
meu poema é louco – e viva aos loucos! – ele fala sozinho, ele anda sozinho, ele canta sozinho, ele sonha sozinho, ele dorme sozinho, ele voa sozinho…
meu poema vaga – vagabundo – perdido e solitário e não sabe que fim irá tomar tomara que saiba mesmo voar.

Sê laetus

sê laetus tínhamos uma sintonia. acho que alguém mudou a rádio e não nos demos conta.
adeus, meu quase érōs. a música que agora toca não nos serve.
porventura, nelle avventure della vita cheguemos a ser chegados e role até um philos.
coisa esquisita essa história de amar, essas coisas que a gente sente philos e érōs e agápē e tudo o mais.
bom, o salão é grande encontraremos outras sintonias, outros sintomas. sê laetus.