LUCAS DOTH

Lucas Doth

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- LUCAS DOTH

Nome: Lucas Doht

Biografia:

Lucas Doth nasceu em Fortaleza-Ce e é na mesma cidade em que o poeta reside. Cedo sentiu grande atração pelas artes, desde a música ao teatro, fotografia e, claro, a literatura. Participou de cursos voltados para a formação do artista e começou sua jornada nas linguagens poéticas na sua adolescência. Atualmente formado em Letras, Lucas Doth ensina nossa língua, literatura e arte, além de passear pelas expressões artísticas, tendo trabalhos que envolvem teatro, música, performance e poesia. Em seus poemas Doth adota assuntos variados como a natureza, o misticismo, a favela e a boemia, pois procura traduzir em sua escrita as vivências, impressões do cotidiano e seus sentimentos mais profundos.

Poesias

O sol também se põe na favela

No céu da favela também surge a lua cheia

Iluminando as casas empilhadas

As calçadas irregulares

O asfalto esquecido

Mas o sangue colore de vermelho a vida

Das pessoas que só queriam sorrir

Tranquilas.

Meu corpo é um templo

Nele celebro a energia da Deusa

Conservo os altares e rituais mais remotos

Guardo os elementos terra fogo água e ar.

Com ele danço canto e dou altas gargalhadas

Choro comovido e emocionado.

Meu corpo é meu templo

Morada dos deuses, floresta secreta.

Nele há rios sem nomes e abismos infindos

Onde toda energia que desabrocha as flores

E ascende as estrelas me desperta e fortalece.

Há grutas sonoras e um deserto imenso de areias ilusórias

Nele conservo profundo silêncio

Mas nos dias de festa há um coro de aleluias

E xamãs encantados batendo milhares de tambores

Arcanos deslumbrantes tocando gloriosas trombetas

Em meu corpo dançam os orixás

Nele há morte e nascimento e uma biblioteca

Com centenas de livros escritos numa língua

Outrora universal, mas agora extinta.

Em meu templo as bruxas dançam livres

Na noite de uma super lua

Acendem fogueiras, queimam incensos

Bebem vinho e tocam rústicos instrumentos

As bruxas celebram a natureza

Mãe dos homens e dos deuses.

Meu templo não tem janelas

Porque não tem muros

E nada aprisiona porque é a céu aberto

Os pássaros que nele vivem voam por onde desejam

E constroem ninhos em seus cantos

Pois os pássaros devem ser livres

Assim como o homem deseja ser.

Meu corpo é meu templo

Por isso recebo a luz do sol em seus campos floridos

Rego com água da chuva minhas árvores e meus pensamentos

Colho minhas frutas, rosas e ervas sagradas

Alimento os animais e brinco com os anjos, gnomos

Duendes e todos os seres que se encantam enfeitiçados.

Então eu adormeço e descanso todos eles

Aquieto esse imenso mundo

Sonho pra desaparecer

E me envolvo no mistério de um sono profundo.

 

 

Poema Surrealista

Quanto quadro quantos anos se passaram

Nessa moldura que assistiu a morte

Quantos mortos acordaram na imaginação insone

Dos que pecam por prazer

Grandes lagos esquecidos continuam mantendo

Vidas encobertas ~~~~~~~~~~~~

Bichos desconhecidos nadam na vida

De uma mente solitária

Esperei à toa por algo que já estava aqui

Submergido

Agora vibro feito uma centopeia

Embriagada na lua cheia

Danço como um caracol alucinado

E meus olhos são janelas para um mar revolto

E meu coração um balão sem destino carregando

Passageiros.

A Lavradora do Cotidiano

 

Ela colhe os pratos

E lava as folhas

Brancas de louça.

Limpa os gafos

Na fonte divina

De uma pia.

 

Ela enxuga as mãos

E serve a mesa.

Depois repousa

Exausta de lavrar

O cotidiano com

Mãos antigas.

Preciso de mar e lua

Para ter força

Eu preciso de terra e estrela

De nuvens e céu aberto

De rio, cachoeira e muitas folhas.

De animais alegres no mundo

Preciso de fogo e pedra

Não preciso de coisas empilhadas

Ou esquecidas fazendo muros

Nas minhas paisagens

Nem de automóveis atropelando

Os pedestres…

Preciso de pássaros voando alto

Ou pousando onde querem

Sem medo de gaiolas

Preciso do homem a pé

Pisando a terra e sentindo

Os pés no chão

Preciso da canção que sai

Da embriaguez dos sentimentos

E corta o silencio da televisão

Não preciso de roupas

Ou gestos que me mascarem

Preciso da humildade dos que

Querem de verdade apertar a minha mão

Não preciso de cidades

Quero a estrada

O esmo

O córrego

O abandono das casas esquecidas

E colinas adormecidas

No remoto tempo perdido

Quero o caminho escondido

Que leva ao paraíso

Que ninguém imagina

Ou espera

Eu quero o precipício.