MEIRE VIANA

Meire Viana

Nome: Meire Viana 

Biografia:

Sou poeta experimental. Minha poesia dialoga com o Concretismo, o Neoconcretismo e a poesia marginal no Brasil dos anos 70. Tenho um blog, o Palabirintrusando, um canal no youtube, o Leituras Poêmicas, e também poemas publicados em algumas revistas literárias eletrônicas, como a Diversos & Afins, Amaité, Literatura & Fechadura e Incomunidades. Tenho, no momento, material inédito para publicação no formato livro. Sou professora de Português e Literatura na rede pública estadual do Ceará. Promovo, regularmente, saraus na escola para o público adolescente. Mesmo tendo frequentado os meios acadêmicos (Mestrado e Doutorado), é com a poesia marginal e com os eventos de saraus pela cidade que me sinto à vontade com minha arte poética.

Poesias

Inalo poesia chamuscada do que sobrou do mundo
e já ofegante expiro palavras não ditas picadas pisadas pisoteadas do que restou do mundo
palavras não escritas rabiscossonoros no ar que arriscam voos incertos atravessam pontes invisíveis e ressoam pelos escombros com seus redemoinhos de versoçobrados
versos náufragos vórtices perdidas no mundo perdido com seus sobreviventes sôfregos entorpecidos de fumaça e dor
e de metáforas em chamas.

Na terra brasilis de desencantos mil
sem várzea céu palmeira em cismar sozinha à noite mais prazer encontro ver alguém desfolhar bandeira desenredar letra de hino exercer ufacinismo para o bem da nação bufaneira.

Tempo de remendos alinhavados do tecido gasto alinhado nos cortes profundos de fendas e brechas acidentais descosture tudo, tempo e de novo emende pedaços de história recapitule novelos teça novelas desfivele vincos e cintos vista outras texturas e outros textos
destempere.

desafio os fios os nós os laços ocupo o estado cinza o opaco dos espaços
trago cores vivas nas vestes desbotadas que não valem um tostão nem metal nem vil nem mil vestes-molduras de um corpo indeciso entre o vermelho dos céus e as margaridas azuis
é corpo que pede cor
e se enlameia pelos cantos descinzentando a manhã.

Bacantes dionisíacas mênades mulheres-marias-vai-com-as-outras-de-luta de vontades de veneta de repentes de lua de um querer-ter-ser disso-daquilo
livre arbítrio pró- mundo soltas a dar saltos altos dissolutas de lutas de correr vales, rios, mares ultrapassar margens
vislumbradas inundadas de suas águas turvas límpidas vermelhas
sem eufemismos sem juízo e sem jus.