NATÁLIA COEHL

Nátalia Coehl

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- NÁTALIA COEHL

Nome: Natália Coehl 

Biografia:

Sou graduada em Licenciatura em Teatro pelo IFCE, tenho especialização em Mímica e Teatro Físico com a Cia Luis Louis; em dança com Marcelo Evelin, Michelle Moura, Adriana Grechi e Cena 11; e Performance com Tânia Alice, Coletivo Dodecafônico e Desvio Coletivo. Nesse caminho me abri para experienciar poesia por meio do meu corpo, buscando formas de ritualizar e transmutar processos de vida, com as ações: PET, Pachamama, Descarto-me, Descarto-me em coro, Exposição Descartável, Resistência, Aparência, Impermanência, A Morte da Bonitinha (o texto desta experiência performativa, foi publicado no livro Imaginários Urbanos) e Cavalgada Selvagem. Nesse caminho encontrou a escrita como forma de relatar suas experiências físicas ao sentir os efeitos no corpo que virou poeira cósmica

Poesias

ERVA DANINHA

 

Entre o céu e a terra resistem pessoas

E algumas árvores e bichos

Enquanto vivo o mundo é preenchido

Por um vazio, vazio.

 

Enquanto piso nesse chão eu sinto nada.

Quer dizer, me sinto muito padronizada.

Desse asfalto não nasce nada.

Nada.

 

Só ervas daninhas, que brotam das fissuras das calçadas.

Elas vão invadindo, preenchendo, ocupando os espaços vazios da cidade

Enquanto eu observo as cores da verdade

Eu sou uma erva-daninha

eu sou

Me deixa viver.

COMO VIREI POEIRA CÓSMICA

 

Saltei no abismo

Abro os olhos, vejo raízes.

Elas flutuam sem se agarra a nada.

Em mar aberto é difícil alcançar o fundo.

As raízes boiam na superfície a procura de terra firme.

Desconectada de mim, sinto a impermanência do mundo me puxar pelo redemoinho.

Essa matéria virou poeira cósmica.

Sinto escorrer por entre os dedos tudo que achei que um dia era meu, restando apenas a presença nesse vazio.

De cara com a minha não materialidade percebo os espaços de expansão!

É difícil se abrir…!

Pois assim escancaro as minhas vulnerabilidades, como você as suas.

Revelando esses seres e suas questões.

O universo de dentro é imenso!

É um buraco negro, a deformação do tempo-espaço.

NASCER

A coragem de quebrar a casca protetora da semente,

me dá força para germinar esse ser frágil e suscetível.

Vulnerável, pelos caminhos vou crescendo forte

Meu tronco só engrossa

nesse vazio encontro o todo

aqui tudo pode acontecer

do vazio ao vazio

Saltei para o desconhecido sem me preocupar

abandono as minhas expectativas e apenas vivo a experiência

Feito um bicho que deixa ir o que não lhe cabe mais.

BELEZA TEIMOS

 

Nasceu uma mulher selvagem no meio da floresta urbana

Uma fêmea arredia trancada entre paredes de concreto

Como se fosse um bicho de estimação

Daqueles que se leva para passear

E mostrar a sua beleza teimosa domada por uma coleira de pérolas.

Ela se olha no espelho a procura de algo que precisa descobrir.

Encarando a si mesma, só consegue enxergar o seu reflexo.

Onde está a mulher selvagem?

Sinto a sua carne, sua pele e seu cheiro.

Arrancando os pedaços que não lhe servem mais,

placas grudadas em seu corpo, que moldavam a sua estrutura estética,

ela começa a si desmanchar, como uma flor que feneceu.

Para, assim, mostrar o seu íntimo e perceber o pulsar da vida.

Corpo latejando, garras crescidas, agarrou a saída para um mundo inesperado.

Sedenta e cheia de desejos uivou para avisar a sua chegada.

TRANSMUTAÇÃO  (Natália Coehl e Bruno Rafael)

Numa certa distância sinto o calor do toque das nossas atmosferas,

Me deslocar para o centro do cosmo

Fundindo os corpos

Fervendo as águas

Tremendo a terra

Tempo e espaço se perdem desnorteados, desintegrando nossa matéria

Vagamos poeira cósmica se reagregando em um novo corpo.