ROSA MORENA

Rosa Morena

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- ROSA MORENA

Nome: Rosa Morena 

Rosa Morena nasceu em Itapipoca (CE). Cursou Pedagogia. Em 2014, foi premiada com o Livro Jaci, a filha da Lua no Edital Paic, Prosa e Poesia. Em 2015, lançou Movimentos Intransitivo.  Recebeu Menção Honrosa em dois certames: no XVIII Prêmio Estadual Ideal Clube (2015) e no Prêmio Carlos Drummond de Andrade, de Brasília (2017).  Em 2018, Lançou o livro Micropoemas e foi premiada com o Livro Pedro, o menino do mar no Edital Mais Paic da Secretaria da Educação. e foi destaque no XX Prêmio de literatura do Ideal Clube, Prêmio José Telles com o poema Tessitura Poética.

Poesias

Estranhamento

 

Mesmo colada em mim

Por vezes me estranho

Um susto do que não sou

Um cisco que me absurda

Um corpo que me reduz

Um olhar preso em distância.

 

Mesmo colada em mim

Por vezes me estranho

Um caminho que me furta

Um luar que me oculta

Um senão que me confunde

Uma palavra que cai morna.

 

Mesmo colada em mim

Por vezes me estranho

Um vazio do que não sinto

Um tempo que me aprisiona

Um andar que me sufoca

Um hoje que só me trai.

Desenho de um olhar

 

Não era feio

Tinha cabelos que pareciam planta

Galhos grossos, armados de tempo

Tinha grosso modo de existir

Fincado no chão feito planta

Os cabelos tomavam-lhe as feições

Essa mania que eu tenho

De querer ver os olhos.

Tessitura do Tempo

 

Não há transparência andando nas esquinas

Ruídos são silêncios das horas

Absurdos são gemidos do tempo

Muralhas mais altas que sonhos acenam

Nada é simples no complexo dos dias

Desgastes e fastios percorrem consciências

Nenhum gesto evidencia desejos

A anestesia paralisa a marcha dos transeuntes

Toda a cidade dorme para além do meio-dia

As perguntas envelheceram sem respostas

Nenhum argumento ousa invadir o tempo

Sobre varais roupas adormecem

Na plateia a voz não se levanta

Falácias em voo oblíquo criam miragens

Há noturnos em todos os olhares.

Ode à Segunda-Feira

 

Nem sabia que era segunda-feira

Fui comprar um desejo na sorveteria da esquina

Contei moedas para levar um Drummond

Colhi poemas que nasciam de um sorriso

Povoei de memórias a velha casa abandonada.

 

Nem sabia que era segunda-feira

Plantei utopias nos telhados que anoiteciam

Bordei de palavras os azulejos do jardim

Ultrapassei sinais que me interrompiam

Experimentei a Pasárgada de Bandeira.

 

Nem sabia que era segunda-feira.

 

Paisagem

 

Acompanho o movimento da cidade

Que me aparece da janela

Mas sou crepúsculo

Ainda que asfalto

Sou sonho

Ainda que destino

Sou silêncio

Ainda que barulho

Sou futuro

Ainda que presente.