TUAN FERNANDES

Tuan Fernandes

POESIA_DE_FORTALEZA-POETA- TUAN FERNANDES

Nome: Tuan Fernandes 

Biografia:

Tuan R. Fernandes é formado em História Social pela UFC e em Realização em Audiovisual pela Vila das Artes. É realizador audiovisual, músico, performer e poeta.

Poesias

13 de julho

Um braço de distância, três dias talvez, e a certeza de que não.
Relva fina sobre a razão olhos e pele de índia: Vontade e promessa de mar.
Corremos as mãos pela noite como se fosse infinita. E o corpo pelo corpo. E o coração pelo coração.
Quem mais poderia enfrentar a solidão,
Abrir o peito apertado de saudade e se lançar?


Como uma folha vencida pelo vento e como vento perdido em neblina
meu coração de amar lentidões e bater poesia amanheceu desfeito.
Agora eu canto com a ponta dos dedos nas almas ocas dos meus antepassados E meu calcanhar retumbante está a dois passos de qualquer esquina.
Eu sou o som infinito do mar e o silêncio salgado na boca do peixe.

João-de-Barro

João-de-barro é bicho de arte demorada:
Vai juntando pacientemente tudo o que lhe encanta os olhos,
retoca, vez ou outra, aquilo que nunca lhe pareceu concluído
e vai matutando sobre o conteúdo e a forma das coisas: A umidez do barro, o aroma das folhas, o sabor dos insetos, a resistência dos galhos…
De repente, percebe que seu trabalho chegou ao fim
e nessas horas, Abdias, como ninguém é de ferro, ele também voa alto e olha para muito longe com uma vontade danada de fumar um cigarro e sumir.

Marítimos

Aqueles que dormem
com a palma da mão
abraçando a cara
[num gesto místico
de trancar o corpo
aos sonhos intranquilos]
sabem que
só se sacia
a vontade de descanso
deitando sobre o mar.

Migração

Pensei não dar para flores nem caracóis. Mas dei: Floresci com Abdias.
[e como foi longa aquela primavera]
Mas Shiva não perdoa: Arrancou-me uma por uma as folhas e as azaléias. Desbotou-me o juízo e a paz. Afogou-me em mentiras…
[e então chegou o inverno em meu coração]
Abdias demorou, mas entendeu: Norteou com os pássaros e nunca mais voltará.

Marítimos

Aqueles que dormem
com a palma da mão
abraçando a cara
[num gesto místico
de trancar o corpo
aos sonhos intranquilos]
sabem que
só se sacia
a vontade de descanso
deitando sobre o mar.